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É vital a preservação das nascentes


É o que afirma o Gestor Ambiental João Ivan Giacon, responsável pelo Departamento de Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Nipoã. Segundo Giacon a redução das matas próximas das nascentes e nas margens dos rios tem contribuído para a diminuição do volume d’água.

O desmatamento nos topos de morros e grotões também tem ajudado a aumentar o problema. "A função da vegetação é reter a água da chuva, que é sugada pela terra como fosse uma esponja. Está água se deposita nos lençóis freáticos, que por sua vez a libera nas nascentes e olhos d’água. Nas áreas de pastagens ou sem cobertura vegetal acontece o contrário. A água vai parar rapidamente nas calhas dos rios, na maioria das vezes carreando grande quantidade de sedimentos contribuindo para o assoreamento" – informou Giacon.

O Gestor Ambiental disse ainda que este processo é o responsável pelo aumento das enchentes nas épocas das chuvas e pela drástica diminuição do volume das nascentes ou até sua extinção nos meses de estiagem. Giacon diz que medidas simples podem evitar grandes problemas, cercar as nascentes é uma delas. "É preciso evitar que o gado passe por sobre as nascentes, pois o vai e vem dos animais compacta o solo dificultando a infiltração das águas da chuva. Se a área estiver degradada o simples fato de cercar a nascente ajudará muito, as vezes não é preciso nem plantar novas árvores, como o solo no local é bastante úmido a natureza se encarrega de colocar tudo no lugar" – enfatizou Giacon.

Mas o Gestor Ambiental salienta que proteger as nascentes se tornará uma medida ineficaz se não forem preservadas as matas dos morros e encostas, pois uma fonte começa nascer das águas da chuva retidas nos topos dos morros. Em locais onde os topos dos morros são usados para atividades agropecuárias o ideal é construir curvas de nível e bacias para captação e infiltração das águas pluviais.

As curvas de nível têm se mostrado eficientes no combate a erosão e ao assoreamento dos rios. O ideal é preservar parte da vegetação no topo dos morros e encostas. A mata ciliar, vegetação das margens dos rios, também é muito importante. Ela evita o desbarrancamento das margens e o assoreamento.

As leis de preservação ambiental determinam que em cursos de água de até 10 metros de largura, por exemplo, seja preservada uma faixa vegetação de 30 metros de largura em cada margem. Se fossemos ater-nos ao texto da lei, constataríamos que a grande maioria das propriedades do município está em desacordo, pois a realidade do uso e ocupação do solo é bem mais antiga que a lei.

No entanto Giacon afirma que é importante recuperar áreas degradadas. "Muitas vezes os proprietários acham que recuperar a vegetação nas margens dos rios levará a uma perda no terreno, pois a área ficará no mato. A recuperação pode ser feita com árvores frutíferas e outras espécies que poderão ser utilizadas futuramente na propriedade. Mas um fato é claro se medidas não forem tomadas, poderemos ter problemas sérios com a falta d’água num futuro próximo".

Assim nesta semana, a Prefeitura Municipal, através do Departamento do Meio Ambiente, em parceria com a SABESP, com a Usina Nova Moreno e com o agricultor Romildo Cavatão, colocaram em prática o Projeto “Adote uma Nascente”, para tanto foram preparado o solo próximo a uma das nascentes do córrego Grotão, onde foram plantadas 900 (novecentas) mudas de árvores nativas.

O plantio contou com a participação ativa dos alunos e professores da 4ª série da Escola Municipal “Dr. Sidney Scaff”, onde esses alunos efetuaram o plantio e também receberam orientação sobre a importância da preservação das nascentes e da área de preservação permanente – APP.

O projeto contou também com o apoio da primeira dama do município, Cely Cristina Scalon, que participou ativamente do projeto, manifestando a preocupação para com a preservação ambiental.